quinta-feira, 17 de março de 2011

Alguém aqui já inventou um amor?!
Eu já inventei para mim mesma tantas vezes que acho que nem saberei mais identificar quando ele cruzar o meu caminho.
Como é fácil cegar diante de tanta carência, tanta ânsia por ser amada e cuidada, que um carinho, um afeto, admiração, um amor de amigo, acaba confundindo tudo e a gente se apega a esse sentimento.
Isso é tão patético..
Relendo os textos daqui percebi que não sei mesmo o que é amar e mesmo assim sofro esse pseudo-amor com tanta dor e intensidade..
Pior que enganar alguém é se enganar e depois olhar para vida e ver que ela passou e você ficou.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Recomeço!

Sei que pouquíssimas pessoas lêem isso aqui, o que acaba sendo uma alívio, pois senão não me atreveria a escrever, mesmo porque no fim das contas escrevo para mim!

Quanto tempo, hein?Quanto tempo que não tenho um diálogo comigo mesma, e acima de tudo, sobre mim mesma!Em qual estrada da vida eu me perdi? Hoje olho para trás e não sei bem definir aonde comecei a esvair tudo que eu era e passei a ser mentira, mentira diária, vida dupla, mistério, mas não aquele mistério gostoso, e sim aquele gosto áspero de medo e entrega pela metade. Fui duas, três, infinitas. Agora, simplesmente me deparo com a pergunta nunca antes imaginada: Qual delas sou eu? Qual o tamanho da distância que separa os "quens" que sou hoje e quem eu era? Será imaginável para alguém que entre esse espaço, houve a vontade de me perder de vez e me reinventar? Destruir de uma vez por todas aquela estrutura tão ameaçada e sujeita a tantos ataques? Me permiti ruir, quebrar, virar pó e em meio a tantos cacos e pós, tentar me reconstruir. Tantas peças do quebra-cabeça da minha vida foram esquecidas. Algumas, digo que foi melhor assim, outras sinto falta. Uma coisa pode ser dita, esse é o momento de descobrir quem sou, pois hoje começa o marco zero nessa nova estrada a ser seguida e o caminho que ela vai tomar? Só depende de mim!


A. B. H. F. M.

sábado, 17 de outubro de 2009


O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.

domingo, 11 de outubro de 2009

made me from scratch


Escrever requer sempre algo que nos impulsione, seja uma novidade, uma alegria, uma dor..Ou algo inexplicável que tentamos entender colocando para fora através da escrita.Sempre tudo o que mais desejei foi ter uma oportunidade, apenas uma, de ir embora, poder recomeçar do zero, velocímetro zerado, construir do nada, “made me from scratch”. Porém, quando a oportunidade está nos seus braços, pronta para ser agarrada, você não sabe mais se tem forças para isso. Mas, você agarra, com a mão trêmula e com o medo de just can’t do.Você pesa os pós e contras e um peso supera: o peso do medo, da responsabilidade.Quando o querer passa a ser poder, você já não tem tanta certeza do conseguir. E foi assim que aconteceu, came out of nowhere, e eu já não tinha mais tanta certeza do meu desejo. É tão fácil desejar quando se sabe que a possibilidade é quase nula, porque desejar vem de dentro, mas, a responsabilidade de assumir é de dentro para fora. O medo me impregnou e eu não mais enxergo aquele desejo que parecia tomar conta de tudo que eu era, desejo que eu transpirava por cada poro do meu corpo, desejo de liberdade, de reconstrução, de uma nova chance.Bem, cada escolha é uma renúncia, e a renúncia, e o peso dela está sendo difícil de carregar. Mesmo assim, eu fiz minha escolha, sentirei falta de tudo que construir até hoje, mas, para reconstruir, nem sempre é preciso destruir, e sim ir modelando, aperfeiçoando, e assim farei.Eu serei a mudança que quero ver em mim.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009


Tô relendo minha vida, minha alma, meus amores
Tô revendo minha vida, minha luta, meus valores
Tô regando minhas folhas, minhas faces, minhas flores...
Tô bebendo minhas culpas, meu veneno, meu vinho
Escrevendo minhas cartas, meu começo, meu caminho
Estou podando meu jardim
Estou cuidando bem de mim...

JOESMIRO

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Meu ser se parte em dois..



"Em luta, meu ser se parte em dois. Um que foge, outro que aceita. O que aceita diz: não. Eu não quero pensar no que virá: quero pensar no que é. Agora. No que está sendo. Pensar no que ainda não veio é fugir, buscar apoio em coisas externas a mim, de cuja consistência não posso duvidar porque não a conheço. Pensar no que está sendo, ou antes, não, não pensar, mas enfrentar e penetrar no que está sendo é coragem. Pensar é ainda fuga: aprender subjetivamente a realidade de maneira a não assustar. Entrar nela significa viver."


- Caio Fernando de Abreu -

segunda-feira, 6 de julho de 2009


Você falou? Eu amo você. Nunca quero viver sem você? Você mudou a minha vida Você falou? Faça um plano, Tenha um objetivo, Trabalhe para conseguir, Mas, de vez em quando, olhe em volta e absorva Porque é isso. tudo pode ter ido embora amanhã..

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Eu mereço.


Lá vem você de novo..
Chegando como se não quisesse chegar..
E dessa vez eu deixo você entrar e escancarar esse coração que pede para sentir dor.
Acho que as dores que eu te fiz passar não são piores que a sensação de tê-las causado.
E de continuar causando. Mesmo que o coração implore por compaixão.
É por isso que eu peço, eu peço baixinho e talvez você nem me escute, talvez eu nem queira que escute.
Porém, mesmo assim eu te peço: Escancara. Abala as estruturas.
Faz sangrar.
Faz rasgar.
Faz dilacerar.
Faz doer.
Faz com que eu sinta.
Faz com que eu te sinta.
Faz com que eu me sinta.
Mas, não tenha medo. Sou eu que te peço. Faz isso. Faz isso que eu mereço.Mas, faz com força. Faz com gosto.
Para que eu nunca esqueça.
E mate o monstro que existe em mim que insiste em te fazer sentir dor.
Me faz sofrer, me faz chorar, e depois me dê um beijo que faça com que eu esqueça da dor.
Mas, depois, vá embora.
Vá e me deixe no chão.
Me olhe por cima para que eu sinta o quão baixa sou.
E sinta asco.
Pise em mim até eu sentir o peso que você tem sobre minha existência.
Pode ir embora, porque nessa hora talvez eu sinta o que você sentiu todas as vezes que eu brinquei com seu coração.
E eu estarei em pedaços.
Porém, o que eu sinto é tão indescritível que vindo de você, eu posso sentir gozo na minha própria dor e juntar os cacos e talvez recomeçar de onde a gente parou.



- Ana Beatriz Hahn Ferreira de Melo.

domingo, 31 de maio de 2009

Eu te peço um verso


Eu te peço um verso e você me vem com muito mais do que te peço.Te dou uma canção e você me vem como quem tem nas mãos esse caminho azul, lindo caminho azul pra mim do não ao sim. Voltas, saltos, abismos, canções cheia de intenções, do sim ao não, carícias, carências, gestos indevidos.O que é que eu faço agora se me falta ar, se tu não pode ser e eu não posso estar?Se me pinto vinho é pra me contentar em ter tua companhia, teu jeito de me amar.Eu te pedi um dia e você me deu o resto da minha vida, brilho, festas, plumas, flashes mas eu fiquei deserta diante das grades abertas, depois virei vento, terra, água e nunca fogo.Signo que não combina com o meu, terra para pés no chão, água para salvação, vento para me levar de ti, fogo para o coração.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto. No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz. Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado. Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperado Para que eu possa levar uma gota de orvalho nesta terra amaldiçoada Que ficou sobre a minha carne como nódoa do passado. Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face. Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada. Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite. Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi face da noite e ouvi a tua fala amorosa. Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço. E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado. Eu ficarei só como os veleiros nos pontos silenciosos. Mas eu te possuirei como ninguém porque poderei partir. E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas. Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz perenizada.



- Vinícius de Moraes



Esse vídeo..
Essa música..
Diz muito sobre mim..
Principalmente o que estou vivendo ultimamente.
,*

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Chegou ao final?



Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.
Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".
Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.
Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.
Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és..
E lembra-te :

“Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão"

Fernando Pessoa

domingo, 17 de maio de 2009

Minha doença.


Você chegou assim.. Como quem nada quer.. E foi invadindo, aos poucos. Foi tomando conta de tudo que é meu aqui dentro. Acontece que eu deixei de alimentar você. Você continua aqui dentro.Se esconde.Insiste em ficar. Mas, eu decidi que você vai morrer. Não me faz mais o bem que fazia. Você ocupa tanto tudo, que sua intensidade está corroendo todo o meu corpo. E dói. Sua presença dói. Você me dói. E me dói tanto.. Tanto, que eu precisava de algo para curar essa dor. Foi então que ele chegou, também como quem nada quer. E mal sabe ele que é o remédio para essa minha dor, essa minha dor de você. O remédio aos poucos vai me curar. Ele já está me fazendo muito bem. Só tenho que tomá-lo na dose certa, nas horas certas. Mas, eu me pergunto: Será que eu quero me curar dessa doença?Será que eu quero me curar de você?

domingo, 10 de maio de 2009


A vida é engraçada. Tem coisas que só o tempo nos esclarece. Eu nunca entendi a história de “amor proibido”. Aliás, entendia, mas nunca aceitei.
- Amor proibido?Que nada!Quando eu encontrar um amor de verdade, eu nunca abrirei mão dele.Por nada, nem por ninguém.
Mas, os dias correm, os anos passam e de repete a gente esbarra na realidade.Num tombo tão forte, que ficamos tontos, fracos.Vamos ao chão no mesmo instante.
Sempre fui de desafiar a vida, meus limites.Sempre querendo desafiar tudo.A morte, as pessoas, a minha capacidade de prosperar, a minha capacidade de amar.. Acho que por nunca acreditar no amor, esse de carne e de alma.Ou talvez por não me sentir apta para tal sentimento.
Já discuti muito sobre o amor, já defendi a forma de amor que as pessoas mais criticam.A de que todo amor é interesse.Você não ama a pessoa, você ama o que ela provoca em você e ela o que você provoca nela.
Mas, na prática, a gente nunca consegue definir.Eu nem chamo de amor, eu chamo de mágica.Amor é uma palavra carregada de expectativas.A mágica não, a gente nunca sabe o que virá, o que tem dentro do pano que cobre os sentimentos.

Sei que aconteceu assim, numas de minhas noitadas.Mais uma noite que desafiei meus limites, meus sentidos, meu tudo.E tava lá, no meio da multidão, mas se destacava de uma forma que só eu enxergava, se destacava para mim, só para mim.Pode ser que tenha chamado a atenção de alguém, mas não como chamou a minha, e tenho certeza que quando me viu, sentiu o mesmo.
Já estava mais para lá do que para cá, com minhas mágoas, dores, e inseguranças afogadas nos copos de cerveja, e mascarada pela embriaguez, vestida de coragem e calçada com prepotência.Fui em sua direção e nunca mais consegui me desviar.
Hoje me sinto mais sua do que de mim mesma.Sou cada poro do seu corpo que se arrepia quando me vê.Você é meu segredo mais oculto, está tão dentro de mim, que te procuro para te mandar embora daqui de dentro e não te acho, você já faz parte de cada pedaço que existe em mim.Eu sou o seu desejo mais profundo, e você é o corte mais profundo que tenho na alma, que dói só em te vê sem poder te ter.Você é saudade reprimida, que sangra ao ver sua partida e grita de dor quando você volta para minha vida.És o meu ego, minha alma.Meu céu, meu inferno, minha calma.Meu tudo, meu nada.
Bani a palavra amor.Consegui. Mas, não consigo banir você.
A nossa magia é proibida. Porém, ao menos nos meus sonhos, a gente pode ser feliz.Nos sonhos, a gente pode virar o mundo de cabeça para baixo.Pena que a gente acorda.Acorda com aquela topada, chamada realidade.


-Just like a star across my sky Just like an angel off the page You have appeared to my life Feel like I'll never be the same Just like a song in my heart Just like oil on my hands....

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Meu coração


Meu coração é um álbum de retratos tão antigos que suas faces mal se adivinham. Roídas de traça, amareladas de tempo, faces desfeitas, imóveis, cristalizadas em poses rígidas para o fotógrafo invisível. Este apertava os olhos quando sorria. Aquela tinha um jeito peculiar de inclinar a cabeça. Eu viro as folhas, o pó resta nos dedos, o vento sopra.
Meu coração é um mendigo mais faminto da rua mais miserável.
Meu coração é um ideograma desenhado a tinta lavável em papel de seda onde caiu uma gota d’água. Olhado assim, de cima, pode ser Wu Wang, a Inocência. Mas tão manchado que talvez seja Ming I, o Obscurecimento da Luz. Ou qualquer um, ou qualquer outro: indecifrável. Meu coração é um traço seco. Vertical, pós-moderno, coloridíssimo de neon, gravado em fundo preto. Puro artifício, definitivo.
Meu coração é um anjo de pedra de asa quebrada.
Meu coração é um bar de uma única mesa, debruçado sobre a qual um único bêbado bebe um único copo de bourbon, contemplado por um único garçom. Ao fundo, Tom Waits geme um único verso arranhado. Rouco, louco.
Meu coração é uma sala inglesa com paredes cobertas por papel de florzinhas miúdas. Lareira acesa, poltronas fundas, macias, quadros com gramados verdes e casas pacíficas cobertas de hera. Sobre a renda branca da toalha de mesa, o chá repousa em porcelana da China. No livro aberto ao lado, alguém sublinhou um verso de Sylvia Plath: "Im too pure for you or anyone". Não há ninguém nessa sala de janelas fechadas.
Meu coração é um filme noir projetado num cinema de quinta categoria. A platéia joga pipoca na tela e vaia a história cheia de clichês.
Meu coração é uma planta carnívora morta de fome.
Faquir involuntário, cascata de champanha, púrpura rosa do Cairo, sapato de sola furada, verso de Mário Quintana, vitrina vazia, navalha afiada, figo maduro, papel crepom, cão uivando pra lua, ruína, simulacro, varinha de incenso. Acesa, aceso - vasto, vivo: meu coração teu.



Coletânia do texto "CORAÇÃO"- (Pequenas Epifanias, crônicas)- C.F.A.

quarta-feira, 25 de março de 2009


Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. Estar triste não é estar deprimido.
Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.
“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down...” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.
Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.


Martha Medeiros

quarta-feira, 18 de março de 2009

Nem que fosse por um segundo..


As pessoas sempre esperam muito de mim.Apesar de eu ter bastante a oferecer, como qualquer um, acho que a diferença é que eu escondo muita coisa.Isso gera uma certa curiosidade, e uma certa compaixão antecipada.A verdade é que fui deixando um pouquinho de mim a todos que passaram pela minha vida.Sempre me mostrei muito para as pessoas no passado, e a conseqüência fez com que eu me fechasse numa concha.Mas acho que passou do ponto.Não me envolvo, e quando me envolvo é quando sei que não durará até eu correr o risco de me magoar.É quando sei que é passageiro, amor de verão, ou algo do gênero.Quando sinto que estou me envolvendo tiro o corpo fora.Trato mal.Ignoro.Simplesmente sumo.Mudo de rumo, de rotina, de ciclo social.Ou então faço de tudo para me auto-sabotar.Para causar nojo, ódio, pena, o que for.Não importa o que eu faça para conseguir me desvencilhar, só sei que nunca chego até o ponto de me envolver totalmente.Tudo por medo de me magoar, de vivenciar o que já senti, e muitas vezes por não me achar merecedora de alguém legal, merecedora de amar e ser amada. Prezo as amizades antigas, e as novas, como bem dito são NOVAS, recentes, prefiro viver do presente para frente, não me ater as coisas do passado, do passado que pretendo esquecer, por mais que ainda seja tão presente.Me moldo de acordo com o que eu quero me tornar daqui para frente, e assim me traço, meio torta, meio inconstante, meio perdida, mas decidida a não voltar atrás.Sei que o que resta são as lembranças, os traumas, os tropeços, as mágoas, as dores, e o medo, principalmente o medo de que o meu olhar transpareça tudo o que eu vivi, não por ter vivido, mas por ter deixado que provocasse em mim todas as dores que eu ainda guardo no peito.

Hoje eu queria nem que fosse por um segundo, poder deitar no colo de Deus, e me sentir protegida, principalmente de mim mesma.
*Ana Beatriz Hahn Ferreira de Melo

Chorar por tudo que se perdeu, por tudo que apenas ameaçou e não chegou a ser, pelo que perdi de mim, pelo ontem morto, pelo hoje sujo, pelo amanhã que não existe, pelo muito que amei e não me amaram, pelo que tentei ser correto e não foram comigo. Meu coração sangra com uma dor que não consigo comunicar a ninguém, recuso todos os toques e ignoro todas tentativas de aproximação. Tenho vergonha de gritar que esta dor é só minha, de pedir que me deixem em paz e só com ela, como um cão com seu osso.A única magia que existe é estarmos vivos e não entendermos nada disso. A única magia que existe é a nossa incompreensão.

domingo, 8 de março de 2009


Vontade de pintar o quarto de preto ou vermelho.As cores dizem muito sobre nosso estado de espírito.Meu quarto é rosa.E faz tanto tempo que sinto que deveria ter mudado a cor dele.Já tive uns 3 quartos dessa cor e sempre senti que rosa não era a cor, mas sempre acabava pintando.Deve ser a projeção de que minha vida seja cor de rosa, lê-se: um mar de rosas.Por falar em mar, já tive o quarto azul.Era um papel de parede de céu.Estranho como podemos ir do céu ao inferno em um segundo.Pois foi no apartamento onde meu quarto era um céu que foi um divisor de águas na minha vida.Passei a época mais feliz e mais triste da minha vida.Lembro de cada pedacinho daquele lugar.E do dia em que tomei aqueles comprimidos, lembro que fiquei olhando para o papel de parede de céu, e pedindo que, se por algum motivo eu sobrevivesse, eu encontrasse alguma razão para permanecer viva.Permaneci.E a partir de então meu quarto sempre foi rosa.Hoje olho para ele e não vejo sentido na cor, na verdade nunca me lembro de ter visto sentido.Já pensei em pintar de vermelho e de preto.Cores fortes.Que combinem com o que sou.Intensa.A verdade é que nunca tive um quarto da cor que sou por dentro.Fico entre o preto e o vermelho, não sei ao certo qual cor sobressai aqui por dentro.O preto seria para sufocar meus medos, e minhas angústias, e sufocar um pouco do sou, visto que sou sempre de mais.Sempre em excesso e com muito fervor.O vermelho, dizem que é a cor da paixão, e é a do sangue.Sangue.Vivo as coisas com tanta intensidade que chega a sangrar.Sangro todos os dias.Sangro de alegria, de dor, de amor.Porém, talvez seja melhor o meu quarto permanecer cor-de-rosa.Pelo menos assim, equilibra um pouco, senão seria muita intensidade para um lugar só.As vezes é melhor contrastar, para que não fique muito pesado.De pesado já bastam meus sentimentos.




Ana Beatriz Hahn F. de Melo

Amor que nunca cicatriza
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida a dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal
Meu coração precisa
Ao menos ameniza a dor
Que a vida não amenizou
Que a vida dor domina
Arrasa e arruína
Depois passa por cima a dor
Em busca de outro amor
Acho que estou pedindo uma coisa normal
Felicidade é um bem natural
Uma, qualquer uma
Que pelo menos dure enquanto é carnaval
Apenas uma
Qualquer uma
Não faça bem
Mas que também não faça mal...



No ventre da solidão é que nasce o meu canto...

Eu cansei de ser assim
Não posso mais levar
Se tudo é tão ruim
por onde eu devo ir?
A vida vai seguir
Ninguém vai reparar
Aqui neste lugar
eu acho que acabou
Mas eu vou cantar pra não cair
fingindo ser alguém
que vive assim de bem
Eu não sei por onde foi
Só resta eu me entregar
Cansei de procurar
o pouco que sobrou
Eu tinha algum amor
Eu era bem melhor
Mas tudo deu um nó
e a vida se perdeu
Se existe Deus em agonia
manda essa cavalaria
que hoje a fé me abandonou