sábado, 17 de outubro de 2009


O que me mantém em pé apesar da falta de corpo é a saudade de algo encaixável e inteiriço, é a curiosidade e a fé em algo encaixável e inteiriço. O que me mantém em pé é perseguir um corpo, pra ser igual ou pra que seja. O que me mantém em pé é, justamente, o quase tudo isso, o quase que sempre foi e o quase de daqui a pouco. É o gosto da lembrança e da iminência. A promessa sempre atual do há ou daqui a. Mas nunca, nunca, nunca, foi. Será?
Onde estão os amigos? Devagar, com paradas, com amor, são restos de algo, são quase, tudo é quase, tudo é resto, tudo é ainda não, mas quase. Nunca sei se serão ou se sobraram. Então, o desespero, o desespero é justamente não existir um corpo inteiro que se abrace. O desespero é, principalmente, não se ser um corpo inteiro para abraçar. É nunca aprender porque não ensinamos. É nunca copiar porque não estamos. A queda que ninguém segura e nem a gente mesmo. O desespero é, sobretudo, não desistir, não acabar, sequer ser queda. Sequer ser desespero. Desespero é nem isso. Ainda não ser, ainda não ter, ainda não não.

domingo, 11 de outubro de 2009

made me from scratch


Escrever requer sempre algo que nos impulsione, seja uma novidade, uma alegria, uma dor..Ou algo inexplicável que tentamos entender colocando para fora através da escrita.Sempre tudo o que mais desejei foi ter uma oportunidade, apenas uma, de ir embora, poder recomeçar do zero, velocímetro zerado, construir do nada, “made me from scratch”. Porém, quando a oportunidade está nos seus braços, pronta para ser agarrada, você não sabe mais se tem forças para isso. Mas, você agarra, com a mão trêmula e com o medo de just can’t do.Você pesa os pós e contras e um peso supera: o peso do medo, da responsabilidade.Quando o querer passa a ser poder, você já não tem tanta certeza do conseguir. E foi assim que aconteceu, came out of nowhere, e eu já não tinha mais tanta certeza do meu desejo. É tão fácil desejar quando se sabe que a possibilidade é quase nula, porque desejar vem de dentro, mas, a responsabilidade de assumir é de dentro para fora. O medo me impregnou e eu não mais enxergo aquele desejo que parecia tomar conta de tudo que eu era, desejo que eu transpirava por cada poro do meu corpo, desejo de liberdade, de reconstrução, de uma nova chance.Bem, cada escolha é uma renúncia, e a renúncia, e o peso dela está sendo difícil de carregar. Mesmo assim, eu fiz minha escolha, sentirei falta de tudo que construir até hoje, mas, para reconstruir, nem sempre é preciso destruir, e sim ir modelando, aperfeiçoando, e assim farei.Eu serei a mudança que quero ver em mim.